Desequilíbrio do pH do cérebro pode provocar Alzheimer, diz estudo

Desequilíbrio do pH do cérebro pode provocar Alzheimer, diz estudo

Um “simples” desequilíbrio do pH nas células cerebrais pode ser uma das causas do Alzheimer, revelou um estudo divulgado no início de setembro pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

A descoberta poderá ajudar futuramente em casos de diagnóstico precoce deste transtorno, explicou Rajini Rao, professora de fisiologia da Faculdade de Medicina da Johns Hopkins. Quando os processos celulares não conseguem eliminar as chamadas proteínas beta-amilóide, elas se acumulam em volta dos neurônios, o que leva à degeneração das células nervosas e à deterioração da memória.

Para reverter este acúmulo, os pesquisadores forneceram enzimas histonas deacetilases (HDAC) a células de ratos, que responderam com a estabilização bem-sucedida do pH. O pH é  determinado pela concentração de íons de Hidrogênio (H+). As substâncias de pH 0 a 7 são classificadas como ácidas, valores em torno de 7 ( a água, por exemplo)  são neutras e acima de 7 são consideradas básicas ou alcalinas.

Hoje, o uso destes inibidores é aprovado pela Administração de Alimentos e Remédios (FDA) dos Estados Unidos para pacientes com certos tipos de câncer no sangue, mas não para aqueles com Alzheimer, já que a maioria dos medicamentos não consegue chegar ao cérebro.

Segundo o estudo, publicado pela revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, esse impedimento é um desafio significativo para o uso direto dos remédios para os transtornos cerebrais.
Para saber se vale a pena centrar os esforços no desenvolvimento de HDAC que sejam capazes de acessar o cérebro, os pesquisadores estão analisando novos experimentos para averiguar se estes inibidores têm o mesmo efeito nas células de pacientes humanos. Os cientistas acharam evidências no desequilíbrio do pH dos endossomos – os orgânulos transportadores de nutrientes das células -, como uma das causas do Alzheimer.

“Quando o Alzheimer é diagnosticado, grande parte do prejuízo neurológico já está feito, e o mais provável é que seja muito tarde para reverter a progressão da doença”, disse a pesquisadora.
Segundo ela, por isso, é preciso concentrar os estudos nos sintomas precoces da doença. “A biologia e a química dos endossomos são importantes muito antes de começar a deterioração cognitiva”, defendeu.
Por enquanto, não existe remédio para prevenir ou reverter o Alzheimer, que é a doença mais comum entre os idosos e afeta 50 milhões de pessoas no mundo todo.

 

Fonte: Agência Brasil

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